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28-03-2008 Programa de Integração das Normas de Direitos Humanos e Princípios Humanitários Aplicáveis à Função Policial O Programa de Integração das Normas dos Direitos Humanos e Princípios Humanitários Aplicáveis à Função Policial existe no Brasil desde 1998, quando o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) iniciou uma parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça para integrar estas normas de proteção da pessoa humana nos manuais, doutrinas e ensino das academias de formação das forças policiais dos 26 Estados brasileiros e do Distrito Federal. Nos seis primeiros anos do programa, o foco do CICV esteve na formação de um grupo de 1.020 policiais militares capazes de reproduzir estes conhecimentos dentro de suas corporações e mesmo em outros países da América Latina, os chamados instrutores multiplicadores. A partir de 2004, a prioridade do programa passou a ser a integração deste conhecimento adquirido pelos policiais em seus currículos de ensino, manuais e doutrinas, fechando o ciclo planejado inicialmente e ampliando o alcance do programa também para as polícias civis brasileiras. O programa realizado no Brasil com forças policiais e de segurança é parte do trabalho que o CICV desenvolve atualmente de 70 países, com adaptações à realidade dos diferentes contextos. Só na América Latina e Caribe, o mesmo programa acontece na Colômbia, Equador, México, Venezuela, Guatemala, Peru, Bolívia, Panamá e Argentina, sob coordenação do centro de apoio sediado em Lima, no Peru. Conteúdo Pesquisa inicial para a elaboração do projeto evidenciou que, de maneira geral, os princípios fundamentais de direitos humanos (direito à vida, à integridade física e à dignidade da pessoa humana), assim como as regras essenciais que regem e limitam os poderes da polícia, eram conhecidos e aceitos no comando das corporações. Apesar disso, o estudo revelava dificuldades na aplicação do conhecimento teórico desses princípios na prática da ação policial. O programa do CICV foi elaborado, então, com base não só nos conhecimentos teóricos das normas internacionais de direitos humanos e princípios humanitários, mas também com partes práticas, técnicas e táticas, no período de 1998 a 2001. Essa parte prática era trabalhada sobre casos de abordagem e prisão de pessoas, busca em veículos e instalações, uso da força e de armas de fogo e noções sobre negociação e gerenciamento de crises. As matérias ministradas nesta fase da formação foram: Balanço das atividades no Brasil Atividades realizadas: Público atingido: Material didático produzido: Avaliação Para verificar a validade do projeto e de seus resultados de forma imparcial, o CICV solicitou, em 1999, ao Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP) a realização de uma avaliação externa e independente sobre as ações do CICV e de que modo as informações foram absorvidas pelos policiais. Não se trata de uma avaliação da polícia militar e sim do trabalho do CICV com as forças policiais. Outro objetivo da avaliação foi averiguar se semelhantes modelos de ensino podem ser utilizados com sucesso em outros locais onde o CICV seja chamado a atuar. Todas as informações produzidas neste estudo foram de grande utilidade para a organização, em grande parte pela sinceridade com que os próprios policiais responderam às perguntas, sob garantia de confidencialidade, o que impede que seu conteúdo seja objeto de comunicação pública. Conclusão Para otimizar o trabalho do CICV junto às forças policiais, foi criado no ano de 2000, o posto de delegado para forças policiais e de segurança na América Latina e Caribe, com o objetivo de apoiar outras delegações do CICV no continente americano com recursos humanos e material didático, na formulação de projetos e realização de cursos de treinamento em matéria de direitos humanos e princípios humanitários aplicáveis à função policial. Assim, trabalhando junto às forças de polícia e de segurança da América Latina, o CICV acredita que possa contribuir, por meio da integração das normas internacionais dos direitos humanos e dos princípios humanitários nos currículos de ensino, manuais e doutrina das forças policiais, para aumentar o profissionalismo das policias, refletindo na melhoria de sua atuação. |