As notícias sobre o estado de saúde de Ingrid Betancourt são muito preocupantes. O CICV tem alguma informação adicional?
Maria Dos Anjos Gussing
Sabemos um pouco mais do que foi mostrado na mídia. Estamos em contato com vários círculos tanto na Colômbia como em outros lugares e realmente estamos preocupados com o estado de saúde de Ingrid Betancourt e com o de todos os outros reféns. O CICV continua à disposição de todas as partes envolvidas para facilitar qualquer ação humanitária em relação aos reféns.
Você está ciente da atual iniciativa dos três países que apóiam o processo de paz na Colômbia (França, Suíça e Espanha)?
Sim, estamos cientes da iniciativa e entramos em contato com vários países relacionados a este tema. Fomos informados sobre os objetivos da operação e do procedimento a ser seguido, e também fomos consultados sobre o papel que o CICV poderia ter durante os vários estágios da operação.
Qual poderia ser o papel do CICV nesta operação?
O CICV está preparado para agir numa posição estritamente humanitária a fim de ajudar os reféns, mas parece que esse momento ainda não chegou. As discussões e negociações ainda devem ser feitas entre todas as partes envolvidas (os três países que apóiam o processo de paz, as autoridades colombianas e as FARC-EP) para que uma possível ação humanitária seja definida. O que já pode ser dito é que uma vez estabelecida tal ação, o CICV poderá, então, lançar uma operação dentro de poucas horas e viajar para qualquer lugar na Colômbia para ajudar os reféns. Mas, se isso acontecer, todas as partes envolvidas devem estar de acordo com a natureza da operação e com o papel que o CICV deve cumprir para chegar a uma conclusão bem sucedida. É primordial que todas as partes envolvidas confiem no CICV como uma organização humanitária especificamente neutra e independente. Somente sob estas condições tal operação poderá ser realizada.
Existem pré-condições para a ação do CICV?
Sim. A principal pré-condição é que será uma operação com o objetivo estritamente humanitário para aliviar o sofrimento das vítimas. Se a operação for lançada, todas as partes envolvidas devem entrar em acordo de antemão, e as garantias de segurança devem ser dadas, principalmente pelas autoridades colombianas e pelas FARC.