9-08-2006 Histórias do terreno Indonésia: “herói sem louvor” consegue mandar crianças de Aceh de volta para a escola Um professor de Aceh fez renascer uma escola em meio às ruínas do prédio escolar original, destruído durante o conflito entre o governo indonésio e o Movimento Livre de Aceh (MLA). Ele encontra forças na sua crença no valor da educação e no apoio de outras pessoas e instituições, inclusive o CICV. A história deste professor é descrita pelo funcionário do CICV Ivy Susanti. Para M. Amin, também conhecido como Sofyan, a educação deve continuar mesmo nos momentos de pico do conflito, porque prepara as crianças para enfrentar o futuro. Esta convicção o motivou a usar todos os meios possíveis a fim de oferecer escola para as crianças de Sejahtera, seu vilarejo natal, que fica no subdistrito de Nurussalam, no leste de Aceh. O povoado está assolado pelo conflito.
© CICV / G. Primagotama
Sofyan, professor do nível primário do vilarejo Sejahtera do sub-distrito Nurussalam. Sofyan começou a dar aulas na escola que foi devastada, mostrada no fundo da fotografia, 28.06.2006
Professor da escola elementar e pai de três crianças, Sofyan começou a ministrar as aulas em meio às ruínas do velho prédio escolar, em janeiro de 2006. O edifício foi queimado em 1990 e novamente no ano 2000, durante o intenso conflito entre o governo indonésio e o MLA. Em 2000, os moradores foram obrigados a abandonar Sejahtera, voltando apenas depois que ambas as partes no conflito assinaram o acordo de paz Helsinki, em 2005. No entanto, o processo de recuperação não tem sido simples. Sofyan não podia reconstruir a escola por causa da falta de recursos, de forma que colocou lonas para servir de paredes para as salas de aula destruídas. Infelizmente, a medida não foi um grande sucesso. “Quando chovia, o telhado de lona gotejava e as crianças tinham de abandonar as salas de aula em busca de abrigo. É por isso que pedi assistência do CICV”, afirmou Sofyan, que é original do vizinho subdistrito Idi Rayeuk. O CICV enviou rapidamente mais lonas e outros materiais de construção para consertar a escola.
© ICRC / G. Primagotama
A sala de aula foi montada na estrutura da escola destruida do vilarejo de Sejahtera. Estava fortemente danificada e não tinha teto. Sofyan cobriu a sala com lona, logo o CICV providenciou o teto metálico, 28.06.2006
“A contribuição pode ser muito modesta, mas para mim o mais importante é que ajudou a colocar um sorriso nos rostos das crianças”, declarou. Quando o CICV chegou pela primeira vez ao vilarejo, em março de 2006, Sofyan e sua família eram os únicos moradores que ainda viviam no local. Seus primeiros alunos vieram dos povoados próximos. Quando o número de moradores cresceu, o CICV começou a distribuir instrumentos agrícolas e materiais de construção para os moradores. Três voluntários ajudam Sofyan nas aulas. Para muitos indonésios, o ensino não é a escolha de carreira preferida, uma vez que os rendimentos são baixos. Mesmo assim, os indonésios aclamam os professores como “heróis sem louvor”, em sinal de respeito pela dedicação deles. “Não espero que os professores venham aqui para nos ajudar. Eles vão hesitar porque esta área é relativamente nova e não há estradas pavimentadas”, afirmou Sofyan, formado por uma escola de formação de professores em Langsa. Sua maior alegria é ver a avidez de seus alunos para o estudo. “As crianças estão muito entusiasmadas. Normalmente elas estão prontas para começar às 7 horas da manhã.” Com orgulho, ele conta que um de seus três filhos acaba de se formar pela escola. Esta é a segunda vez que Sofyan adota a tarefa hercúlea de reabrir a escola. O prédio foi destruído pela primeira vez em 1990, mas ele conseguiu reabrir e reuniu 13 alunos. Ao longo dos anos, o número de estudantes passou para mais de 100. Sofyan e sua família já haviam deixado a região quando a escola foi queimada pela segunda vez, no ano 2000. “Naquela época, a situação era perigosa. Saímos antes que algo de ruim nos acontecesse.” Em virtude das difíceis condições de vida, Sofyan afirmou que em sinal de agradecimento, em geral os pais oferecem produtos ou comida ao invés de dinheiro. O apoio deles e de instituições como o CICV animou sua determinação de ensinar as crianças do vilarejo a construir um futuro promissor. |