Quando ela estava em férias em Yangon, esperando por notícias sobre a sua próxima missão, o ciclone Nargis atingiu a cidade. Imediatamente, San-Hta concordou em liderar os esforços do CICV para apoiar as iniciativas da Sociedade do Crescente Vermelho de Mianmar (SCVM) com o objetivo de reunir as famílias que ficaram separadas por causa da tragédia.
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San-Hta Nyunt, delegado de buscas, CICV Yangon, faz uma curta apresentação aos membros do seu time antes de embarcar para uma missão.
"Foi um milagre que eu estivesse aqui", disse San-Hta, uma nativa de 39 anos de Yangon. "Este é meu país, e este é meu povo. Sinto-me privilegiada em poder ajudar."
Baseando-se nas qualificações e experiência adquiridos em missões prévias em Angola, no sul do Sudão, no Saara Ocidental e na Etiópia, San-Hta rapidamente identificou a necessidade de equipes com experiência.
"Quando o CICV reduziu algumas de suas atividades em 2007, fomos obrigados a nos despedir de muitas pessoas. O fato que tantos tenham desejado voltar para prestar ajuda durante este período difícil é testemunho de seu profissionalismo e dedicação."
O restabelecimento de laços familiares (RLF) será uma parte importante de toda a resposta da SCVM à tragédia. Além disso, o CICV tem uma ampla experiência técnica neste campo e tem capacidade para oferecer apoio.
"A SCVM aprecia que o bem estar psicológico das pessoas seja tão importante quando a comida, o abrigo e a água.", afirma San-Hta. "Se, por um lado, não é a primeira prioridade, é encorajador ter o apoio da liderança da Sociedade Nacional. Além disso, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e das Sociedades do Crescente Vermelho, em seu papel de coordenador do apoio internacional da operação da SCVM, também abrangeu a necessidade de RFF e está fornecendo todo o apoio que possa ser preciso."
As atividades de RLF e o atendimento das necessidades especiais dos grupos muito vulneráveis como as crianças separadas e desacompanhadas não são funções exclusivas do CICV e da SCVM. As Nações Unidas estão exortando as numerosas agências e organizações que trabalham sob a sua égide e San-Hta voltou de sua primeira reunião de coordenação com algumas claras impressões.
"Agências como o Unicef querem trabalhar em parceria com o CICV e a SCVM", acrescentando, "é ótimo que eu possa conversar com o chefe de proteção do Unicef em francês graças ao meu próprio conhecimento de francês, uma vez que estudei e trabalhei em Paris!"
Como ela vai encarar o trabalho com uma Sociedade Nacional que reconhece a sua própria fraqueza em restabelecer os laços familiares?
"O RLF indicou uma pessoa muito competente para ser seu ponto focal neste tema", explicou. "Trata-se de alguém que tem familiaridade com o CICV, e isto é um bom começo. Já terminamos a tradução dos formulários e diretrizes que usaremos. Agora estamos no processo de mobilizar uma rede de voluntários da SCVM já treinados pelo CICV na coleta e distribuição de Mensagens Cruz Vermelha. Uma vez que tenhamos terminado os procedimentos usados nesta operação, terminaremos o treinamento e começaremos o trabalho."
À espera de um grande número de formulários que serão necessários, San-Hta enfrenta outro desafio. "Até onde pudemos determinar, nenhuma das empresas gráficas de Yangon já retomou o trabalho, e ainda serão vários dias para que a eletricidade seja restabelecida, de forma que a fotocopiadora do CICV vai trabalhar além da conta."
Mais séria ainda é a questão dos milhares de corpos, que, segundo se tem notícia, bóiam nos cursos dos rios, ou jazem campos ou estão presos nas árvores como resultado das ondas fatais que acompanharam a tempestade.
"Temos de aceitar que a identificação da maioria desses corpos é impossível", diz San-Hta.; "No entanto, o mínimo que podemos fazer é dar-lhes um sepultamento decente, e se podemos, informar os parentes onde seus entes queridos estão enterrados. A tarefa adiante não é fácil, mas é uma parte importante do processo que vai permitir aos sobreviventes ter uma oportunidade de reconstruir suas vidas."
Como a própria San-Hta lida com as pressões que caem sobre ela e seus colegas? "Conforto-me com o fato de que eu possa fazer uma diferença", afirma. "Tenho muita sorte, tendo em vista que a delegação do CICV em Mianmar funciona bem e tem um ótimo espírito de equipe. Sem o apoio deles, eu não poderia conseguir nada."