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29-04-2008  Reportagem  
Gaza está quase sem combustível
A atual crise de combustíveis está trazendo mais dificuldades para a população da Faixa de Gaza. O CICV alerta que as conseqüências de longo prazo podem ser difíceis se não houver fornecimento suficiente para a população e para serviços como transportes públicos, hospitais e estações de água.

Dez por cento das enfermeiras, médicos e outros funcionários de hospitais não podem chegar ao trabalho por causa da falta de transportes. Em virtude disso, os pacientes precisam esperar para serem operados. Alguns deles simplesmente desistiram de ir para o hospital. As escolas e universidades estão funcionando parcialmente, uma vez que cerca de 15% a 20% das crianças, estudantes e professores estão ausentes. Há poucos carros nas ruas, normalmente cheias. Mesmo na Cidade de Gaza, as carroças se tornaram o meio de transporte mais comum.

Vida cotidiana atingida

"Isso está afetando todos os aspectos do nosso cotidiano. Os fazendeiros não podem fazer suas colheitas, os pescadores não podem sair para o mar e os trabalhadores têm dificuldades para se locomover", afirmou Antoine Grand, chefe da subdelegação do CICV em Gaza.

Se a crise de combustíveis não for resolvida logo, terá sérias conseqüências para o abastecimento de comida, a saúde e a educação em Gaza. Os hospitais e as estações de esgoto estão a ponto de ficar sem combustível para os geradores de reserva. Quando o combustível tiver terminado, os geradores ficarão totalmente dependentes do fornecimento de energia, deixando-os vulneráveis aos cortes que acontecem normalmente.

Cebola e alho podem apodrecer nos campos

"A falta de combustível também vai prejudicar seriamente o setor agrícola e a indústria pesqueira. A temporada das sardinhas está se aproximando, e a colheita de cebola e alho deveria acontecer nos próximos dias e semanas. Se não houver combustível para a colheita e a irrigação, as plantações vão apodrecer nos campos", acrescenta Grand.

ONU é obrigada a abandonar assistência

As organizações humanitárias também são atingidas pela crise. A Agência da ONU para os Refugiados Palestinos no Oriente Médio (UNWRA) ficou sem combustível no dia 24 de abril, obrigando-a a suspender a distribuição de comida. Médecins sans Frontières foi obrigada a reduzir seu trabalho. A UNWRA e o Programa Mundial da Fome, os quais, juntos, são responsáveis pela alimentação de mais de 1 milhão de moradores de Gaza, não poderão começar a distribuir novamente comida até que recebam diesel para seus caminhões.

Como aponta Grand: "A suspensão desta assistência vai ter conseqüências catastróficas."

Em diversas ocasiões, o CICV já chamou a atenção para a necessidade de soluções políticas para o conflito em curso, indicando que a solução dos problemas está muito além da capacidade das organizações humanitárias. No momento, os funcionários humanitários encontram dificuldade para operar em Gaza.

Combustível está quase no fim

A quantidade de combustível disponível para a população em Gaza vem caindo desde outubro de 2007. Em março de 2008, a gasolina disponível havia sido reduzida para cerca de 80%, enquanto o diesel tinha caído pela metade. Em 7 de abril, os distribuidores de gasolina em Gaza entraram em greve em protesto contra a falta de combustível. Depois do assassinato de dois trabalhadores israelenses por militantes palestinos em um posto de gasolina em Nahal Oz, perto de Gaza, Israel reduziu ainda mais o volume de combustível que entra na Faixa de Gaza.

Antoine Grand: "Exortamos todas as partes a permitir que a população civil de Gaza tenha uma vida decente e possa viver normalmente."

©Reuters / I. Abu Mustafa
Contêineres vazios em frente a um posto de gasolina fechado em Gaza.
©Reuters / I. Abu Mustafa
Dois homens colocam a mãe numa carroça que vai levá-la para um hospital na Faixa de Gaza.
©CICR / A. Meier
Muitos pescadores em Gaza não podem sair para o mar por causa da falta de combustível.
©Reuters / I. Abu Mustafa
Pescadores palestinos puxam a rede para a praia porque a falta de combustível obrigou-os a permanecer em terra.


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