Nos últimos anos, os somalis tiveram de enfrentar bem mais que uma rápida sucessão de tragédias naturais; eles também precisaram enfrentar a intensificação do conflito armado que há muito tempo assola o país. As condições na Somália chegaram ao pior nível em muitos anos, e as perspectivas para os somalis estão entre as mais sombrias do mundo.
Centenas de milhares de famílias foram obrigadas a deixar suas casas por causa dos combates em Mogadiscio e em outros lugares. Elas precisaram encontrar refúgio temporário nas áreas em torno de Mogadiscio e em outras regiões do centro e do sul da Somália, que são relativamente seguras em relação às demais.
Além do conflito, as colheitas ruins também provocaram dois anos de chuvas muito reduzidas, o que trouxe muito sofrimento. Os pastos se tornaram barrentos em muitos locais e os pastores estão perdendo seus animais. A Rede de Sistemas de Alerta da Fome previu que as chuvas sazonais vão diminuir de novo este mês, exacerbando a carência de água e comida, que já são escassas.
Assistência para as vítimas
"Na Somália, as tragédias naturais e as ondas de combates parecem se suceder umas às outras", afirmou Pascal Hundt, chefe da delegação do CICV para a Somália. "Isto provocou a crise humanitária que temos agora. As pessoas estão sendo empurradas para o limite do que podem agüentar. As condições de vida de muitas famílias só podem ser descritas como chocantes. Uma grande proporção de famílias deslocadas é totalmente dependente da ajuda externa."
Desde o final de janeiro, todos os dias o CICV transporta 2,3 milhões de litros de água por via terrestre, destinada a 470 mil pessoas em mais de 400 localidades situadas em Mudug, norte de Bakool, leste de Bay e Galgaduud.
Em abril, o CICV distribuiu produtos domésticos básicos – colchões, cobertores, utensílios de cozinha, enlatados e roupas – para 19 mil famílias deslocadas (95 mil pessoas) em Bakool, Juba Meridional e Central, Kismayo e Bay.
No começo deste ano, 49 mil pessoas receberam ajuda alimentar em Mudug, em algumas áreas de Nugaal e no sul de Sool. Algumas delas precisaram abandonar suas casas por causa do conflito em Las Anod; outras estavam enfrentando uma situação de insegurança extrema em relação às fontes de alimentação. Além disso, 25.820 famílias receberam ajuda não alimentar nas regiões de Mudug e Galgadud, na área de El Dere, em Daynile (periferia de Mogadiscio), Medina (Mogadiscio) e em Shabelle Central.
Cuidados com a saúde
"O CICV está profundamente preocupado com a saga dos civis pegos em meio aos combates e exorta todas as partes em conflito a cumprir o Direito Internacional Humanitário, e a tomar precauções quando conduzem operações militares para salvaguardar as vidas e a dignidade dos civis", acrescentou Hundt.
Em Mogadiscio, todas as semanas os hospitais Keysaney e Medina continuam a tratar dezenas de pessoas feridas por armas e os cirurgiões são freqüentemente chamados a realizar operações urgentes. Desde o começo de 2008, os dois hospitais já trataram mais de 1.100 feridos, entre os quais 253 mulheres e crianças. Em 2007, mais de 4 mil feridos receberam tratamento nos dois estabelecimentos.
Desde agosto de 2007, a equipe de cirurgiões da Sociedade do Crescente Vermelho do Catar, apoiada pelo CICV, está trabalhando no hospital Keysaney, administrado pela Sociedade do Crescente Vermelho Somali.
Muitas famílias deslocadas pelos intensos combates em Mogadiscio encontraram refúgio temporário em Afgooye e Daynile, nas proximidades. Elas estão vivendo em abrigos provisórios, longe de centros médicos e hospitais. Assistido pelo CICV, o Crescente Vermelho Somali abriu cinco clínicas temporárias em Afgooye e Daynile, que atendem 150 mil pessoas. Também com o apoio do CICV, o Crescente Vermelho Somali opera 25 clínicas na região central e sul da Somália, atendendo a 260 mil pessoas. Desde janeiro, essas clínicas ofereceram quase 20 mil consultas.
O CICV exorta as partes a tomar todas as medidas para garantir que os feridos e enfermos tenham acesso a centros médicos e que os funcionários humanitários, as equipes médicas, os hospitais e as clínicas sejam respeitados e protegidos.
Mais informações:
Pedram Yazdi, CICV Somália, tel: +254 20 272 3963 ou +254 722 518 142
Nicole Engelbrecht, CICV Nairóbi, tel: +254 20 272 3963 ou +254 722 512 728
Anna Schaaf, CICV Genebra, tel: +41 22 730 2271 ou +41 79 217 3217