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25-11-2005 Reportagem Darfur: Lutando para garantir o suprimento de alimentos Um dos piores problemas enfrentados pelos civis afetados pelo conflito em Darfur é a interrupção da produção agrícola e a resultante deficiência em alimentos. O CICV continua a monitorar a situação atentamente e intervém com assistência emergencial, onde necessário. Ian Byram assumiu a posição de delegado do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) ao Sul de Darfur em fevereiro de 2005. Agora ele compartilha algumas de suas experiências das comunidades com as quais ele trabalha e suas impressões enquanto a época de colheita se aproxima em Darfur. Ian foi designado ao CICV pela Sociedade da Cruz Vermelha do Reino Unido.
©CICV/V. Miranda/sd-e-00414
Recolhendo madeira: uma mulher do campo de desabrigados em Kassab.
Já se passaram oito meses desde que cheguei em Darfur pela primeira vez e as pessoas aguardam a época de colheita.
Infelizmente, os desafios ambientais, tais como a estiagem e os insetos que podem danificar as plantações, aumentaram desde o início do conflito pelo problema de acessibilidade. As pessoas têm estado com muito medo de entrar nos campos, em razão de a situação ainda ser perigosa ou em razão do medo gerado por experiências anteriores. Sem o acesso, as pessoas não possuem recursos suficientes para se alimentarem e caso o conflito já não as tenha retirado de seus lares para os campos em áreas urbanas, a insegurança contínua poderá eventualmente forçá-las a fugir. Até mesmo quando as pessoas tentam permanecer em suas cidades, a qualidade de vida delas diminui inevitavelmente. Os transportes estão severamente restritos devido ao conflito. Isso impede que as pessoas levem produtos ao mercado, privando-as de oportunidades econômicas. As possibilidades de comércio de trocas estão cada vez menores e a manutenção dos laços com familiares e amigos tem se tornado um desafio cada vez maior sem o estímulo do mercado. Em 2005, viajamos para áreas rurais e remotas, muitas vezes proporcionando assistência onde outras organizações não têm acesso. Distribuímos alimentos, sementes e ferramentas, além de itens essenciais, tais como placas de plástico para abrigo, jarros para água, sopa e cobertores. Não é simplesmente uma questão de chegar a uma área para distribuir alimentos – antes de isso ocorrer, uma avaliação das necessidades deve ser feita e são preparadas listas a fim de garantir que as necessidades prioritárias tenham sido consideradas. Durante esse período, tive a oportunidade de conhecer pessoas em suas cidades, conversar sobre como elas vivem agora, comparado ao que viviam antes do conflito e o que podemos fazer juntos para melhorar suas condições de vida. Também, pelo fato de as pessoas ficarem inevitavelmente intrigadas sobre a minha origem, nós comparamos e contrastamos nossas vidas e os lugares de onde viemos. O que permanece uma constância é a hospitalidade e generosidade das pessoas, seja pensando um pouco para responder as mais estranhas perguntas ou ao final do dia, preparando uma refeição para nós de seu escasso suprimento de alimentos. ©CICV/U. Meissner/sd-e-00184
Uma mulher do campo de desabrigados em Kassab.
Agora que a colheita se aproxima e pelo fato de que haverá mais plantações disponíveis nesse curto período, estamos nesse momento chegando ao fim do ciclo de distribuição de alimentos e dando enfoque na melhoria de nossa compreensão do impacto de nossos esforços.
Há umas duas semanas, na ceia, enquanto quebrávamos o jejum do Ramadan, estava conversando com o Xeique de uma cidade em uma área chamada Um Sauna, um lugar ao qual temos prestado assistência desde maio. Enquanto conversávamos sobre a colheita e a longínqua temporada agrícola, ele observou que, sem a assistência trazida pelo CICV, a colheita teria sido muito menor. Muitas pessoas precisariam vender seus escassos bens e não pensariam em retornar a seus lares. Na verdade, elas não podem nem mesmo retornar. Mais cedo, ao conversar com um grupo de mulheres sobre como elas sentiam a mudança de situação, uma delas disse que, esse ano, durante o mais árduo mês, o de setembro, antes da colheita e quando poucas outras oportunidades de geração de renda apareceram, menos crianças adoeceram do que o que elas esperavam. Isso se deveu ao fato de elas terem se alimentado o suficiente, elas comentaram. Isso é um importante feedback para nós porque nosso objetivo não é apenas proporcionar assistência emergencial com suprimentos de alimentos, mas fazê-lo da forma que permita que as pessoas tenham tempo e espaço para se concentrarem no cultivo. Os problemas enfrentados pela população ao Sul de Darfur estão longe do fim. Nas últimas semanas, houve um infeliz aumento na falta de segurança nessa volátil área de conflito e é fato as conseqüências que isso trará em seus recursos alimentícios e em sua tomada de decisão de ficarem em suas cidades natal. A população de Darfur continuará precisando de nossa assistência para restaurar seus meios de vida sem a necessidade de assistência externa – para retomar a vida que conheciam antes do conflito. |