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México: prestação de assistência médica em perigo na cidade de Juarez

05-08-2011 Reportagem

A cidade mexicana de Juarez é um dos muitos lugares no mundo onde está cada vez mais difícil para os médicos e enfermeiros atenderem os pacientes com segurança. Nos últimos três anos, os ataques criminosos organizados contra os profissionais e os estabelecimentos de assitência à saúde aumentaram nessa cidade de 1,5 milhão de habitantes na fronteira com os Estados Unidos. Eles entram em clínicas e hospitais, executam pessoas específicas e sequestram equipe médica. A dra. Leticia Chavarria Villa trabalha em uma cliínca na cidade que foi atacada e diz que a constante insegurança põe em perigo a prestação de assistência à saúde na cidade.

Que tido de violência a senhora já enfrentou?

A clínica onde trabalho está em um bairro comum, mas já foi atacada três vezes. Duas vezes foi assaltada por homens armados que deixaram pessoas feridas. Os criminosos vão até mesmo nas áreas onde os pacientes são tratados. Também sequestraram um ginecologista que trabalhava na clínica.

Que medidas de segurança a clínica toma agora?

Agora temos dois guardas patrulhando a clínica do lado de for a. Temos grades nos guichês das farmácias e instalamos um botão de pânico. Todas as clínicas tomam essas medidas. As que têm condições instalam câmaras de segurança. Em geral, as clínicas não publicam os nomes dos médicos, nem os horários de consulta, nem os telefones. A maioria das consultas é feita apenas se marcadas antes. Cada médico tem que mudar o caminho que faz para o trabalho para sua própria segurança e a dos pacientes.

Quando a violência começou a aumentar?

Desde 2008 houve um novo avanço preocupante. Os criminosos começaram a fazer execuções de pessoas específicas dentro das clínicas privadas. Os assassinos matavam as vítimas que eram trazidas pelos serviços médicos e que sofriam de feridas a bala em consequência de tiroteios na cidade. Claro que isso põe em risco todas as pessoas, incluindo pacientes e médicos. Em novembro de 2009, eles entraram em um hospital publico pela primeira vez e, em plena luz do dia, um grupo armado matou um paciente que acabava de dar entrada. Desde então, isso passou a ocorrer com frequência.

A senhora pode nos contar mais sobre os sequestros?

Essas redes de crime organizado começaram a sequestrar os médicos em 2008. Em 2010, alguns médicos foram sequestrados e até mesmo mortos. Em outubro de 2010, um pediatra foi sequestrado e morto depois. Durante um mês e meio, a família não teve notícias dele. Eles pagaram o resgate duas vezes e, no final, encontraram seu corpo. Outro médico foi sequestrado e morto. Estamos todos muito vulneráveis.

Que impacto isso tem sobre a prestação de assistência à saúde?

Estamos todos trabalhando em condições incrivelmente difíceis. Estamos sempre estressados, o que não é nada bom para o bem-estar emocional ou físico dos pacientes. Sessenta por cento das clínicas fecharam. Os médicos deixaram a cidade ou mudaram suas clínicas para áreas mais seguras da cidade, como dentro de grandes hospitais, que contam com guardas. Isso significa que em algumas áreas não há mais clínicas. A situação já era muito ruim antes, e agora esta muito pior. Os pacientes realmente têm de lutar para ter acesso à assistência à saúde, em especial durante a noite e nos fins de semana.


Foto

Homens armados param esta ambulância para matar um comandante da polícia que estava sendo levado ao hospital. 

Homens armados param esta ambulância para matar um comandante da polícia que estava sendo levado ao hospital.
© Reuters/STR New