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Somália: cirurgiões aperfeiçoam habilidades em cirurgia de guerra

28-04-2009 Reportagem

Cuidar de vítimas de guerra em grandes quantidades nunca é fácil. Depois de mais de uma década de conflito, a Somália tem centros médicos com limitações e os cirurgiões experientes do país têm pouco tempo para treinar outros. O CICV recentemente ajudou a suprir essa deficiência no treinamento com um seminário sobre cirurgia de guerra em Mogadício, como informa Nicole Engelbrecht.

" Muitos médicos e cirurgiões deixaram o país " , disse o cirurgião do CICV Mauro Dalla Torre. " E os que ficaram estão muito ocupados atendendo os pacientes. Quase nunca têm tempo para orientar os alunos de medicina e falta treinamento sistemático. Nosso seminário visa a ajudar a suprir essa falta e dar uma base para discutirmos cirurgia de guerra " .

De 7 a 9 de abril, a equipe médica do CICV compartilhou sua experiência em áreas como cuidados de feridas, cirurgias e técnicas de amputação, transporte de pacientes, cuidados de vítimas e triagem com 23 médicos e enfermeiros somalis.

" Tratar feridas causadas por balas, minas e estilhaços pede habilidades altamente especificas " , explicou a cirurgiã do CICV Valery Sasin, que coordena as atividades de saúde da organização na Somália. " Se um cirurgião está por salvar a vida de paciente de guerra, ele deve saber como lidar com esse tipo de ferimentos " .

A Somália não tem um governo eficiente desde 1991 e por décadas o país foi atormentado pelo combate e pelo sofrimento. A insegurança e a violência levaram milhões de pessoas a abandonarem suas casas. Milhares de civis foram mortos. Em 2008, os hospitais de Mogadício atenderam mais de três mil vítimas do conflito. Quase um terço era de mulheres e crianças com menos de 15 anos.

Lidar com o fluxo de pacientes feridos por armas seria um desafio para qualquer hospital no mundo. Mesmo para os melhores sistemas de saúde, as equipes devem tomar decisões difíceis quanto a quem tem a preferência diante dos preciosos tempo e recursos cirúrgicos. Na Somália, o sistema de saúde entrou em colapso somo resultado da guerra civil e há poucos médicos qualificados, o que torna o desafio ainda maior.

" Lidar com vítimas de guerra exige um tipo de conhecimento especial " , disse Hussein Abdi, médico do Hospital Keysaney em Mogadício. " Estamos fazendo o possível para salvar vidas e reduzir o sofrimento. O seminário será muito útil e ajudará a lidar com casos complicados no futuro " .

Como parte de seu abrangente programa de saúde na Somália, o CICV apóia vários centros médicos, incluindo dois hospitais em Mogadício e 28 clínicas administradas pelo Crescente Vermelho somali. A organização fornece equipamentos cirúrgicos, remédios e treinamento para médicos e enfermeiros desses centros de saúde. Os centros de saúde e hospitais aceitam todos os pacientes, independente de seu clã ou posição política ou religiosa.

O CICV tem prestado socorro humanitário à Somalia desde 1982, trabalhando em conjunto com o Crescente Vermelho somali.