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Dia Mundial da Água: prisões superlotadas são desafios para e saneamento

17-03-2008 Reportagem

O crescente número de detidos e prisioneiros em muitos países afetados por conflitos está provocando uma grande tensão na capacidade dos centros de detenção em fornecer água, saneamento e saúde pública para os presos. Em muitas sociedades as prisões são esquecidas ou negligenciadas, o que faz com que elas sejam focos de doenças devido à falta de água potável, ao acesso limitado às latrinas, à administração inadequada de lixo, a pouca higiene e à superlotação.

O CICV visita anualmente mais de 2.500 centros de detenção, que abrigam aproximadamente meio milhão de pessoas, em quase 70 países do mundo. Suas estimativas das necessidades de água, saúde e saneamento, estão baseadas nestas visitas, que têm o objetivo de melhorar as condições e o tratamento dos detidos quando necessário.

  Direitos fundamentais  

" As infra-estruturas existentes não conseguem lidar com o aumento da população de prisioneiros e o problema está ficando pior com respeito a todos... não somente nos países em desenvolvimento”, diz Robert Mardini, chefe da Unidade de Água e Habitat do CICV.

" Freqüentemente, as comunidades fecham os olhos para o que acontece dentro das prisões, mas cada pessoa tem o direito de usar um banheiro adequado, de limpar-se regularmente, de comer alimentos saudáveis e de beber água potável, incluindo as pessoas atrás das grades,” adiciona. “Assegurar uma condição de vida adequada é também um dos melhores meios para evitar que doenças como a cólera, a sarna e a hepatite se disseminem entre os prisioneiros, como também para a população do lado de fora”.

Os comentários de Mardini chegam antes do Dia Mundial da Água de 2008, 20 de março, e destaca os desafios do saneamento global.

O CICV trabalha com as autoridades dos centros de detenção para encorajá-los e ajudar na melhoria da situação de moradia dos prisioneiros. Esta ajuda vem em diversas formas, incluindo monitoramento, experiência em identificar problemas e soluções, materiais e implantação de projetos.

" Para o CICV, os pro blemas de saneamento, água, saúde e proteção, caminham juntos”, diz Mardini. “É por isso que vemos a situação como um todo e tentamos ajudar os agentes penitenciários a encontrar as soluções adequadas, sustentáveis e originais”.

Em Ruanda, o CICV propôs uma alternativa inovadora para as fossas, graças ao sistema de biogás, que transforma o gás recolhido da água de esgoto numa fonte de energia adicional que pode ser usada para aquecer os fogões nas cozinhas das prisões, reduzindo os custos.

“Este é um excelente exemplo de como o lixo pode ser tratado de uma maneira segura e de acordo com o meio ambiente, e ser transformado em um subproduto útil”, diz Mardini. “O problema da superlotação nas prisões não desaparecerá rapidamente, então temos de começar a sugerir mais soluções, como esta, que respondem às necessidades e desafios”.

     

    ©ICRC/P. Yazdi/so-e-00092      
   
    Somália, região de Bakool, Bara Brio. O CICV distribui água.       
         

  Escassez de água  

     

O programa de água e habitat do CICV não está limitado aos centros de detenção. Suas atividades também respondem às necessidades de água e saneamento de mais de 14 milhões de pessoas em mais de 40 países todos os anos.

A insegurança e o deslocamento são freqüentemente agravados pela seca prolongada ou por uma pobre infra-estrutura. Quando a água é escassa e as hostilidades são muitas, esta combinação pode aumentar a competição entre as comunidades, gerar tensões e incitar as pessoas a deixarem suas casas.

Por exemplo, algumas áreas da Somália, que sofreram um recente aumento nos conflitos na capital Mogadishu, receberam pouca chuva por mais de dois anos. Em lugares onde a água já está escassa, um influxo de pessoas deslocadas pela violência pode ser devastador.

“Com pouca água e com pastos distantes demais, a população não pode fazer muito mais do que esperar pela chuva”, diz Julian Jones, o coordenador de água e habitat do CICV para a Somália.

O CICV está trabalhando para ajudar estas populações, e fornece dois milhões de litros de água por dia para aproximadamente 350.000 pessoas nas regiões de Mudug, Bakool norte, Baía ocidental e Galgadud, todas na Somália.