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Iraque: mulheres na guerra

05-03-2009 Boletim do terreno

A delegação do CICV no Iraque produziu um folheto com depoimentos de iraquianas que enfrentam os efeitos do conflito e explicam como o CICV lhes ajuda a suportar isso.

     
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Iraque: Mulheres na Guerra
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    ©ICRC/ N.Saleh      
   
     
   

           

       
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  Ao longo dos últimos 30 anos, as iraquianas sofreram várias vezes os efeitos de conflitos armados. Desde 2003, estiveram presas no fogo cruzado, foram mortas ou feridas em explosões em massa e deslocadas de seus lares. As mulheres são rotuladas por seu comportamento e papel na sociedade, são estupradas, sequestradas e assassinadas e são especialmente vulneráveis ao trafico e à exploração.  

     

  Mulheres mortas ou sequestradas durante o conflito  

     

Centenas de mulheres foram vítimas por serem profissionais ou por seu papel público no Iraque. Somente na área médica, muitas fugiram ou abandonaram seus trabalhos, provocando uma fuga de cérebros e um sistema de saúde defasado.

Ainda que tantos os homens quanto as mulheres sejam sequestrados, para muitas mulheres o trauma do rapto não termina com a liberação. A vergonha associada com o fato é um estigma eterno.

  Mulheres sob custódia  

     

As mulheres são uma pequena minoria dos detidos visitados, mas como a maioria dos presídios foi projetada para abrigar homens detidos, o CICV monitora de perto as necessidades específicas durante as visitas.

  Nem sempre o tempo cura  

     

Milhares de iraquianos foram declarados desaparecidos nas últimas décadas. Esposas e crianças estão em um limbo, incapazes de chorar por seus entes queridos ou de seguir com suas vidas. Muitas passam anos buscando. Na ausência de uma prova de morte, as viúvas não podem obter pensão, nem se casar de novo.

  O sofrimento dos lares chefiados por mulheres  

     

Estima-se que as décadas de conflito no Iraque deixaram entre um e três milhões de lares chefiados por mulheres. Milhares de famílias foram separadas porque um marido e pai foi morto, ainda está desaparecido ou detido.

A sociedade iraquiana e o sistema patriarcal não facilitam a vida de uma mulher sem um homem. Sem um parente homem, a mulher sofre com a falta de apoio e proteção econômica, física e social.

  Sem apoio  

     

Privadas das tradicionais fontes de renda, as mulheres são obrigadas a adotar papéis que em geral não se espera que desempenhem no Iraque e para os quais não foram educadas. Com frequência, a comunidade não está preparada para essa mudança. É difícil encontrar trabalhos sem experiência anterior ou sem um diploma. As barreiras sociais e a discriminação limitam o acesso da mulher ao trabalho. Existem poucas opções para mulheres cujos parentes se recusam a ajudar ou não podem ajudar porque estão lutando para conseguir sobreviver.

Sem uma renda ou apoio familiar, as mulheres só podem pedir ajuda ao governo. Poucas conseguem ter acesso a esse tipo de apoio e a pensão de viúva é u ma pequena fração do que uma família necessita para sobreviver.

  A luta pela sobrevivência  

Muitos lares chefiados por mulheres vivem na pobreza e na miséria. Isso foi ressaltado em uma avaliação do CICV, na qual a renda média entre os lares vulneráveis chefiados por mulheres entrevistadas estava abaixo de 150 mil dinares iraquianos por mês (US$125), a maior parte do qual provenientes de parentes e caridade. Isso é menos do que a despesa mensal mínima estimada por lar.

A baixa renda e as más condições de vida afetam a saúde das mulheres e dificultam o acesso a cuidados médicos. Um grande número de mulheres sofre de anemia e muitas têm dificuldade para pagar um médico ou os remédios. Em muitos casos, não podem arcar com os custos da educação dos filhos.

  Responsabilidade do Estado  

Existe uma ampla rede de caridade para dar apoio, incluindo organizações humanitárias, sistemas públicos de distribuição de alimentos, mesquitas, bairros e parentes. Tudo isso ajuda as famílias a sobreviver, mas eles não permitem que essa situação mude a longo prazo. As famílias precisam de fontes de renda independentes, seja a partir do trabalho ou do Estado. O apoio forte e abrangente do governo junto com atividades para gerar renda para aquelas que têm habilidades são extremamente necessários para aliviar o sofrimento de muitas famílias chefiadas por mulheres.

  Ajuda aos lares chefiados por mulheres  

Em 2008, o CICV trabalhou com várias ONGs locais para fornecer alimentos e artigos de higiene para famílias vulneráveis chefiadas por mulheres. Todas essas famílias haviam perdido seus ganha-pães no conflito. Mais de três mil lares receberam alimentos, arti gos de higiene ou utensílios domésticos básicos, dependendo de suas necessidades.