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República Centro-Africana: milhares de famílias ainda estão em perigo

26-01-2011 Entrevista

A população do lado oriental da RCA ainda sofre ataques, saques, sequestros e falta de alimentos devido ao conflito armado. A infância de crianças é roubada pelo recrutamento em grupos armados. Benoit Chavaz administra as atividades de proteção e detenção do CICV na RCA e explica como a organização ajuda as comunidades.

     
 
   
Benoît Chavaz. 
           
       
©CICV/M. Kokic/cf-e-00313 
   
Obo, província de Haut Mbomou, RCA. Em um campo para deslocados internos na periferia da cidade. 
               
©CICV/M. Kokic/cf-e-00576 
   
Província de Ouham, RCA. Mulheres tiram água em um poço consertado pelo CICV. 
           
©CICV/M. Kokic/cf-e-00589 
   
Bangui, RCA. Equipe do CICV visita o presídio feminino de Bimbo. 
               
©CICV/M. Kokic/cf-e-00534 
   
Ouogo, provincial de Ouham, RCA. Sessões informativas sobre o Direito Internacional Humanitário. 
           

  Como este filme reflete os problemas humanitários que o senhor presencia no terreno?  

   

O filme mostra algo que para mim ainda é muito chocante – como o conflito destrói cada parte da vida em comunidade. Por exemplo, vemos um agricultor que perdeu a esposa e os meios de subsistência por algo que não é culpa sua. Seus filhos perderam a mãe, gerando um custo alto para a próxima geração.

Há muitas historias semelhantes na RCA. No nordeste, por exemplo, as propriedades das comunidades que vivem em aldeias foram destruídas e saqueadas durante os ataques. Muitos se sentem mais seguros se escondendo na mata do que ficando em suas próprias casas, mas isso reduz o acesso à educação, ao sistema de saúde e à água potável. O filme destaca a notável resiliência da população frente às dificuldades e à insegurança.

     

  O que o CICV está fazendo?  

Trabalhamos diretamente com as comunidades afetadas para garantir que entendemos suas necessidades. Dependendo da situação, podemos fornecer alimentos e sementes, por exemplo, ou facilitar o acesso à água. Também aj udamos as famílias separadas pela violência a manter contato.

Nossas equipes no terreno registram os casos de violência e os discutem com os supostos responsáveis em uma tentativa de evitar que tais violações voltem a ocorrer.

As regras existem para garantir que os civis e seus bens estejam protegidos durante o conflito armado e uma das prioridades é promover essas regras entre os portadores de armas por meio de sessões de conscientização.

     

  Que efeito o conflito tem sobre as crianças?  

A infância de crianças pequenas é encurtada pelo recrutamento em grupos armados, sobretudo no leste da RCA. O CICV está extremamente preocupado com esse problema e, sempre que possível, levantamos esta questão em nossos diálogos com os portadores de armas.

Graças à rede nacional de voluntários, a Cruz Vermelha Centro-Africana recentemente pôde assumir os cuidados de várias crianças do Sudão e da República Democrática do Congo. Depois de sofrerem um martírio extenuante, essas crianças escaparam de seus captores e estavam perdidas em um país estrangeiro. O CICV em Bangui buscou suas famílias por meio das delegações nos países vizinhos e, por fim, reuniu essas crianças com seus parentes. Mas, infelizmente, muitas crianças não têm essa sorte.

     

  O que a organização está fazendo para melhorar as condições dos detidos?  

O CICV tem ajudado as autoridades a melhorarem as condições de detenção na RCA desde 1992. No ano passado, acompanhamos os casos de mais de 1,3 mil detidos em 27 presídios.

O objetivo é a ssegurar que os detidos sejam mantidos em condições humanas, portanto, ao final de cada visita, compartilhamos as recomendações de melhora com as autoridades. Também prestamos assistência humanitária direta onde as necessidades humanitárias são mais prementes, como água e saúde.