Honduras: "É importante que a Cruz Vermelha possa trabalhar em condições seguras"
25-09-2009 Entrevista
O CICV e a Cruz Vermelha hondurenha estão trabalhando em conjunto para assistir as pessoas afetadas pelos acontecimentos violentos recentes. O delegado-adjunto do CICV para o México, América Central e o Caribe hispanoparlante, Christoph Kleber, comenta a ação da Cruz Vermelha em Tegucigalpa.
Desde 23 de setembro o senhor está em Tegucigalpa, mas desde junho tem visitado a cidade com frequência. Como o senhor vê a situação atual na capital hondurenha?
Segundo o que pudemos ver, a situação está aparentemente calma, apesar de as pessoas estarem nervosas. Nos últimos dias, houve enfrentamentos entre as forças de segurança e os manifestantes. A Cruz Vermelha hondurenha já atendeu mais de cem pessoas com problemas respiratórios, crises de ansiedade, crises de hipertensão, contusões e fraturas. Também foi relatada uma morte relacionada com o ocorrido.
As equipes de socorro da C ruz Vermelha hondurenha estão em estado de alerta 24 horas por dia. Sessenta, dos cerca de 200 voluntários das filiais de todo o país que estão prontos para atender os chamados, estão na cidade de Tegucigalpa. Muitos estão há vários dias nem se quer poder voltar a suas casas ou ver suas famílias.
A Cruz Vermelha tem tido problemas para atender os feridos ou ter acesso às zonas onde estes estão?
A Cruz Vermelha hondurenha tem respondido aos chamados de emergência que tem recebido e pôde ingressar nas zonas onde houve violência para garantir atendimento médico de emergência às vítimas.
É muito importante que os voluntários da Cruz Vermelha hondurenha possam evacuar os feridos em condições de segurança. O CICV forneceu kits de primeiros socorros, rádios e capacetes, além de coletes e bandeiras com o emblema da Cruz Vermelha às equipes de socorro. Esse emblema protetor representa a neutralidade e imparcialidade da instituição.
Também temos apoiado a realização de oficinas regionais de treinamento em acesso seguro e segurança para corpos operativos, voluntários e socorristas da Cruz Vermelha hondurenha, principalmente na cidade de Tegucigalpa, assim como em outras filiais do país.
O CICV tem acesso às pessoas detidas relacionadas com os acontecimentos em Tegucigalpa?
Sim, temos um acordo amplo com as autoridades para visitar as pessoas privadas de liberdade em Honduras. Hoje o CICV iniciou as visitas às pessoas privadas de liberdade, com a primeira entrevista a um detido relacionado com os últimos enfrentamentos acontecidos na cidade de Tegucigalpa. As conversas foram realizadas em particular e com o objetivo de assegurar que as condições de detenção cumpram com as normas internacionais.
Também oferecemos nossa ajuda para manter o contato com seus familiares e, quando necessário, compartilhamos nossas observações de maneira confidencial com as autoridades correspondentes.
A nível mundial, as atividades do CICV relacionadas com a detenção têm o propósito de proteger a dignidade e integridade física das pessoas privadas de liberdade.
Ademais de visitar os detidos e facilitar a assistência aos feridos, que papel o CICV pode desempenhar na atual crise?
Estamos em contato com as partes envolvidas na crise, com o objetivo de exigir o respeito ao trabalho humanitário que os voluntários da Cruz Vermelha hondurenha realizam. Além disso, oferecemos nossos serviços como intermediário neutro e independente para desempenham atividades em favor das vítimas da violência.

