Gaza: CICV continua pressionando para ter acesso a Gilad Shalit
23-03-2010 Entrevista
A chefe de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para o Oriente Médio e Norte da África, Béatrice Mégevand-Roggo, fala sobre os incansáveis esforços da organização para ter acesso ao soldado israelense Gilad Shalit, capturado em junho de junho 2006, ao mesmo tempo em que mantém contato com todos os envolvidos, incluindo a família de Shalit.
A senhora poderia nos contar se houve progresso por parte do CICV em seus esforços para ajudar Gilad Shalit?
Permita-me começar lembrando que, desde o início, não estamos poupando esforços para conseguir acesso a Gilad Shalit. Além disso, inúmeras vezes pedimos às pessoas que o mantêm detido que o tratassem de maneira humana e permitissem que ele mantivesse contato com sua família. Enfatizamos que essas pessoas têm a obrigação de fazê-lo segundo o Direito Internacional Humanitário.
Em nossos contatos mais recentes com o Hamas, nas últimas semanas, mais uma vez pedimos que Shalit tenha permissão para falar com sua família por meio de trocas de mensagens Cruz Vermelha.
Em mais de uma oportunidade exigimos publicamente que o Hamas permitisse que visitássemos Shalit para avaliarmos de maneira independente as condições em que ele se encontra. Nenhum de nossos apelos foi ouvido até o momento. Mas os apelos públicos são apenas uma pequena parte dos esforços que estamos realizando. A maior parte do que fazemos acontece nos bastidores. Estamos dialogando com o Hamas em todos os níveis, em Gaza e em outros lugares, e mais em geral com todas as pessoas que podem ter alguma influência sobre a situação. O CICV prefere contatos diretos e ações discretas, que acreditamos serem essenciais para avançar.
Lamentamos profundamente que, até o momento, esses esforços tenham sido em vão. Em particular, lamentamos que, pelo menos até agora, as considerações políticas acerca do caso de Gilad Shalit parecem ter mais peso do que as questões humanitárias. Como resultado, temos um jovem mantido em cativeiro e incomunicável por mais de três anos e meio, a quem foi negado o direito de manter contato regular com sua família. No entanto, apesar de tudo, nosso compromisso continua mais forte do que nunca. Continuaremos pressionando para conseguir acesso a Gilad Shalit e aproveitaremos todas as oportunidades para relembrar às pessoas que o mantêm detido as suas obrigações.
O que a senhora tem dito à família de Gilad Shalit?
Simplesmente, dizemos a eles que nossa determinação não diminui e que continuamos com nossos esforços para alcançar nosso objetivo humanitário.
Mais importante ainda, talvez, quero assegurar pessoalmente aos pais de Shalit, Aviva e Noam Shalit, que estamos cientes de sua preocupação e frustração.
Regularmente, nos encontramos com o sr. e a sra. Shalit em Tel Aviv, em nossa sede em Genebra e em outr os lugares, para mantê-los atualizados sobre nossos esforços. Também mantemos as autoridades envolvidas informadas sobre o que estamos fazendo.
Quais são os principais desafios que o CICV enfrenta em seu trabalho para ajudar Gilad Shalit e outras pessoas detidas e desaparecidas?
Visitar as pessoas privadas de liberdade e impossibilitadas de intercambiar notícias com seus parentes é uma das principais atividades do CICV. Todos os anos, nossos delegados visitam quase meio milhão de detidos em vários países. Mas há limites para o que podemos fazer e o que o Direito Internacional Humanitário nos permite fazer. Em muitos casos, podemos fazer pouco mais do que lembrar àqueles que estão no controle da situação de sua obrigação de agir de acordo com a essência do Direito Internacional Humanitário. Permita-me esclarecer que, dessa forma, as pessoas que mantêm Gilad Shalit detido têm a obrigação de assegurar que ele seja bem tratado e que suas condições de vida sejam humanas e dignas.

