Israel e os Territórios Ocupados – Último relatório sobre as atividades do CICV em terreno
25-03-2008 Relatório de operações
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) está extremamente preocupado com alto número de vítimas civis dentro da Faixa de Gaza gerado após o aumento das lutas entre as Forças de Defesa de Israel e os grupos armados palestinos.
Um terço dos mortos é de mulheres e crianças, dentre eles, nove crianças com menos de doze anos.
As cidades israelenses vizinhas a Gaza continuam sendo atingidas por foguetes lançados na Faixa. O CICV está em contato constante com o Magen David Adom em Israel que tem ajudado no tratamento e evacuação dos feridos.
O aumento do conflito nas últimas semanas exacerbou uma situação humanitária já precária. Gaza continua sofrendo com os apagões elétricos por várias horas ao dia, durante os quais os hospitais devem ligar seus geradores. O fornecimento de combustível e o estoque de combustível dentro de Gaza para os geradores dos hospitais têm sido incertos até agora.
Setor de saúde trabalha sob pressão
A evacuação de alguns pacientes feridos criticamente através da cidade fronteiriça de Rafah para o Egito, conseguiu aliviar um pouco da pressão dos hospitais em Gaza, mas os principais hospitais cirúrgicos, particularmente no norte de Gaza, continuam lidando com um alto número de feridos.
O hospital Shifa, na cidade de Gaza, conseguiu voltar com nove leitos da unidade de tratamento intensivo para as unidades de Cuidado Coronário, Obstetrícia e Ginecologia e de Queimados que haviam sido desviadas destas unidades para conseguir lidar com os altos números de feridos de guerra.
“A estrutura de saúde em Gaza já estava numa situação difícil antes que a última batalha começasse”, disse Eileen Daly, a coordenadora de Saúde do CICV para Israel e Territórios Ocupados. “Casos cirúrgicos que não eram de emergência estavam sendo cancelados, e a maioria dos hospitais só conseguiam operar a nível mínimo. Nós conseguimos ajudá-los nesta última crise, mas os problemas fundamentais continuam lá”.
O CICV continua monitorando os estoques médicos dos hospitais e os repõe caso seja necessário.
Na última semana forneceu curativos, suturas, anestésicos e remédios para dor, plasma, roupa de cama, gesso e instrumentos cirúrgicos para os principais hospitais cirúrgicos que tratam os feridos. O Ministério de Saúde da Palestina, em Ramallhah, está organizando uma coleta de sangue na Margem Ocidental e o CICV está apoiando e ajudando com o transporte até Gaza.
Proteção da equipe médica, seus veículos e instalações
O Direito Internacional Humanitário determina que as instalações médicas, seus transportes e suas equipes devem ser respeitadas e protegidas.
Durante o recente aumento das hostilidades, a evacuação dos feridos tornou-se difícil e freqüentemente perigosa para as ambulâncias e equipes de emergência, que em algumas vezes conseguiram chegar até as áreas afetadas horas depois. O CICV está ajudando os trabalhadores de emergência da Sociedade do Crescente Vermelho da Palestina (SCVP) em Jabalyia a retornar à estação e a reinstalar o sistema de chamadas de emergência deles, pois durante os enfrentamentos, a equipe foi obrigada a fugir para um local mais seguro, no hospital Al Awda. Um foguete lançado em Gaza também caiu dentro de uma área hospitalar na cidade israelense de Ashkelon.
“A capacidade da equipe médica de trabalhar com segurança em tempos de conflito, e para que os feridos recebam tratamento rapidamente – sem importar quem são – é de suma importância. Isto é a essência do que o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho realmente são”, diz Eileen Daly.
Assistência para as famílias
As famílias cujas casas foram parcialmente ou totalmente destruídas durante o conflito estão sendo hospedadas por parentes e organizações locais.
Os voluntários do CICV e da SCVP já distribuíram cestas básicas, colchões e itens de apoio para mais de 200 pessoas.
“Com a escassez de materiais de construção dentro da Faixa de Gaza, a reconstrução das casas será um grande desafio para muitas destas famílias. Para algumas, talvez nem seja possível,” diz Karl Buehlmann, representante de segurança econômica do CICV em Gaza. “Desde junho passado, o preço de um saco de cimento aumentou consideravelmente devido às restrições na fronteira.”
Para mais informações, por favor, entre em contato com:
Dorothea Krimitsas, CICV Genebra, tel: +41 22 730 25 90 ou +41 79 251 93 18
Leila Blacking, CICV Jerusalém, tel: +972 2 582 88 45 ou +972 52 601 91 50
Iyad Nasr, CICV Gaza, tel: +972 8 28 28 874 ou celular +972 59 60 30 15
Yael Segev-Eytan, CICV Tel Aviv, tel: +972 3 524 52 86 ou +972 52 275 75 17

