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Gaza - boletim do CICV N°. 17 / 2007

12-01-2007 Relatório de operações

Último relatório das atividades do CICV no terreno.

  Situação geral  

A população palestina continua a sofrer as conseqüências dos enfrentamentos entre facções na Faixa de Gaza, que, nos últimos dias, se intensificou e se ampliou em West Bank. Desde o dia 3 de janeiro, 20 pessoas morreram, só na Faixa de Gaza – entre elas pelo menos dois civis – e mais de 50 foram feridas.

A violência nas ruas e o crescente número de seqüestros também contribuíram para a sensação de insegurança entre a população. Um jornalista peruano seqüestrado em Gaza em 1° de janeiro foi libertado depois de seis dias de cativeiro. A deterioração das condições de segurança torna o trabalho humanitário cada vez mais difícil.

Como resultado das operações militares realizadas pelo exército de Israel no dia 4 de janeiro, quatro pessoas morreram e 34 ficaram feridas no centro de Ramallah.

Bloqueios e outras restrições de movimento continuam a afetar a vida cotidiana dos palestinos. Chegar ao trabalho ou ir ao colégio, visitar um médico ou simplesmente sair para comprar qualquer coisa tem sido uma tarefa cada vez mais difícil.

Em West Bank, o número de bloqueios em rodovias permanece inalterado, apesar de um possível relaxamento nas restrições de movimento para os residentes. Não houve diminuição significante nos bloqueios realizados em West Bank, principalmente em Nablus e Tulkarem, as áreas mais duramente afetadas pela medida.

Muitos agricultores têm dificuldades para chegar a suas terras. Em West Bank, aproximadamente 100.000 famílias palestinas dependem da colheita das olivas para sua subsistência. De acordo com estimativas do CICV, a produtividade das oliveiras localizadas entre a Barreira de West Bank caiu aproximadamente 80%.

Desde 30 de dezembro, o terminal Rafah, entre Gaza e o Egito, na Faixa de Gaza, foi aberto para os palestinos que voltavam da peregrinação a Meca por apenas três dias. Aproximadamente 1,4 milhão de palestinos vivem na Faixa de Gaza. Mil deles podem cruzar para Israel a cada semana. Metade são famílias que participam do programa que o CICV realiza de visitas a familiares detidos.

  Atividades do CICV  

Apesar da situação difícil na Faixa de Gaza, o CICV mantém sua presença e suas atividades.

Na última semana, o CICV organizou quatro operações de reunificação familiar, permitindo que membros de 500 famílias palestinas pudessem ver seus parentes em prisões israelenses. No fim do feriado muçulmano de Eid al-Adha, o CICV distribuiu 11 toneladas de baklava a mais de 12.500 palestinos detidos em prisões israelenses. Os alimentos foram doados pela Autoridade Palestina e o CICV assegurou seu transporte e distribuição nas prisões israelenses. Baklava também foi doada para diversas prisões em territórios palestinos.

Através de um monitoramento constante dos estoques médicos em oito hospitais públicos em territórios palestinos, o CICV assegurou que estas unidades fossem adequadamente supridas com medicamentos para mais de 1.500 pacientes.

Através de um programa social para jovens, o CICV fornece ferramentas para diversas atividades profissionais, como carpintaria, para que eles possam iniciar seu próprio negócio. Mais de 50 jovens desempregados se beneficiaram desta medida nas últimas semanas.

O CICV mantém contato com as autoridades e os vários grupos palestinos e reitera constantemente seus pedidos para visitar o soldado israelense Gilad Sh alit. Através destes contatos e de pronunciamentos públicos, o CICV urge aos captores do soldado que o tratem humanamente, respeitem sua vida e dignidade e permitam que ele se comunique com sua família.

  Em 2006, o CICV:  

  • Possibilitou que 220.000 pessoas de Gaza, West Bank e East Jerusalem visitassem seus parentes detidos em prisões israelenses.

  • Monitotou individualmente a situação de aproximadamente 20.000 pessoas mantidas em locais de detenção israelenses.

  • Entregou mais de 20.000 Mensagens Cruz Vermelha (curtas mensagens pessoais dirigidas a parentes que, de outra forma, nunca seriam entregues por causa do conflito armado) entre detidos e seus familiares, além de fazer milhares de telefonemas entre membros de famílias para informar sobre o destino e o bem-estar dos detidos.

  • Durante a paralisação do setor da saúde, o CICV monitorou os centros cirúrgicos públicos de Gaza e de West Banck, ao mesmo tempo em que fornecia suprimentos médicos para manter o funcionamento vital destas unidades.

  • Deu apoio aos serviços de emergência e outros serviços médicos essenciais da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino, facilitando o movimento de ambulâncias da organização, quando necessário, em particular durante as incursões israelenses.

  • Distribuiu lonas, colchões, mantas e outros itens domésticos essenciais, além de tendas quando necessário, para mais de 1.000 famílias cujas casas foram destruídas ou danificadas.

  • Forneceu geradores de energia emergenciais e combustível e estendeu os reparos no sistema de fornecimento de água para mais de 134.000 pessoas, em particular para as pessoas afetadas pelas operações militares em Gaza.

  • Na cidade histórica de Hebron, o CICV forneceu porções alimentares mensais para m ais de 1.800 famílias, particularmente para as famílias em " bloqueio estrito " , o que evitou que os residentes deixassem suas casas (mais de 37.200 porções alimentares e mais de 5.300 kits de higiene foram distribuídos, juntamente com 157 toneladas de flúor para 1.250 famílias vulneráveis).

  • Administrou programas de apoio à subsistência que permitiram que mais de 800 lares subsistissem apesar dos bloqueios impostos em West Bank.

  Mais informações:  

  Dorothea Krimitsas, CICV Genebra, tel +41 22 730 25 90 ou +41 79 251 93 18  

  Marcin Monko, CICV Jerusalém, tel. +972 2 582 88 45 ou +972 52 601 91 50  

  Bana Sayeh, CICV Jerusalém, tel. +972 2 582 88 45 oru +972 52 601 91 48