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Somália: último relatório das atividades do CICV no terreno - Fortes enchentes ameaçam centenas de milhares de pessoas

08-12-2006 Comunicado de imprensa 01/2006

As enchentes estão atingindo principalmente o sul do país e o número de pessoas que precisam de assistência urgente continua a subir em Hiran, no baixo e médio Shabelle, no baixo e médio Juba e em Gedo.

Uma pausa nas chuvas melhorou as condições das estradas em algumas áreas, facilitando a distribuição de suprimentos de socorros nessas regiões. No entanto, as previsões do tempo indicam que mais enchentes podem atingir a região até o mês de janeiro. Este boletim analisa a situação e sintetiza as ações empreendidas pelo CICV para fazer frente às enchentes.

Situação :

As enchentes que se seguiram ao índice pluviométrico fora do comum em outubro e novembro prejudicaram ainda mais a limitada infra-estrutura do país, destruindo as terras agriculturáveis, interrompendo o fornecimento de comida e deixando isolados povoados inteiros. Em muitas áreas, as pessoas fugiram para diques, onde estão completamente rodeadas por água e ameaçadas por crocodilos. Elas estão sem abrigo, água ou comida. As pessoas informam que precisam trepar nas árvores a fim de escapar dos animais selvagens.

As enchentes, que também estão atingindo o Quênia e a Etiópia, se seguiram a uma forte seca no início do ano que resultou numa série crise de falta de comida e levou a perdas de gado. Em muitas áreas, o solo estava tão seco que não podia absorver a água da chuva. Embora a colheita de julho tenha sido bastante boa, a maioria das plantações foram agora destruídas pelas enchentes. Além disso, elas podem disseminar doenças provocadas pela água contaminada, tais como malária, cólera e diarréia.

De acordo com os meteorologistas, o índice pluviométrico observado desde outubro é três vezes mais elevado que o normal. As margens dos rios Shabelle e Juba, na fronteira com a Etiópia, cederam, e as águas inundaram uma área de até 15 quilômetros de cada lado. As enchentes deixaram vilarejos inteiros submersos e dezenas de milhares de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas na região de Hiran.

Acesso:

O acesso para a população atingida é muito difícil, uma vez que muitas estradas e pontes não estão transitáveis ou foram levadas pelas águas. Freqüentemente, a única opção é distribuir assistência por via aérea ou de barco. O CICV transportou de avião oito barcos a motor para as regiões atingidas e contratou outros quatro barcos no local. Nos trechos inferior e central do rio Shabelle, a assistência ainda é fornecida por via terrestre. Dois aviões de carga do CICV estão fazendo vôos diários entre Nairóbi e as áreas inundadas na Somália.

Resposta emergencial do CICV:

O CICV é uma das pouquíssimas organizações que podem alcançar algumas das pessoas mais vulneráveis nas área isoladas e inundadas da Somália. A organização está assistindo a população atingida em estreita parceria com a Sociedade do Crescente Vermelho da Somália (SCVS) e outros componentes da Cruz Vermelha/Movimento do Crescente Vermelho, tais como a Federação Internacional da Cruz Vermelha e as Sociedades do Crescente Vermelho.

A seguinte assistência foi distribuída desde 15 de novembro de 2006:

  • 259.770 pessoas receberam encerados de lona (um por família) em Hiran, na região central do rio Shabelle, no baixo e médio Juba e em Gedo.

  • 318 mil pessoas receberam cobertores (dois por família) no baixo e médio Shabelle e no baixo Juba.

  • 45 mil pessoas em Belet Weyne estão recebendo 100 mil litros de água potável todos os dias;

  • 12 poços estão sendo limpos e desinfetados.

  • 23 clínicas da SCVS receberam sabão e 11 mil doses orais de sais para a reidratação.

  • 550 pessoas no baixo Shabelle foram salvas de barco e levadas para um local mais alto em Sablaale e Kurtunwaarey, enquanto equipes móveis da SCVS trataram de duas pessoas feridas por crocodilos.

O CICV está monitorando a situação de perto e está pronto para reforçar suas operações caso seja necessário. Isso inclui assistir as vítimas das enchentes de barco e possivelmente proceder a operações de evacuação.

Ao mesmo que enfrenta a crise das enchentes, o CICV continua a conduzir as atividades que leva adiante desde 1977, tais como os programas de saúde, os projetos agrícolas e de sobrevivência.

Além disso, nos últimos dois meses a organização forneceu uma ampla assistência para as pessoas que foram obrigadas a se mudar de um lugar para outro em virtude do conflito que se prolonga. No baixo Juba (Kismayo), Galgadud (Wabho), Bakool (Wajid), Gedo (Luuq), nas regiões Bay e Galkayo, o CICV forneceu material de abrifo, utensílios de cozinha, colchões, cobertores e roupas para mais de 128 mil pessoas.

Em Mogadiscio, 49.800 pessoas atingidas pelas fortes chuvas de outubro receberam material de abrigo e cobertores.

O CICV está extremamente preocupado com a situação humanitária na Somália, uma vez que as enchentes estão se acrescentando àquela que já era uma das piores situações humanitárias no mundo, depois de mais de 15 anos de conflito armado interno. O CICV exorta todas as partes envolvidas nos confrontos armados a poupar e proteger os civis, e a tomar todas as precauções quando forem levar a cabo operações militares.

Citações

“Todas as nossas casas estão circundadas por água. Não podemos voltar para pegar nada, nem mesmo comida. O problema do qual fugimos ainda está conosco. Não temos panelas para cozinhar, nem c omida, e não temos plástico suficiente. Estamos todos fora de casa. Não temos nada, mas estamos nos ajudando uns aos outros.” Asha, uma mulher sômala que fugiu para um campo para pessoas deslocadas perto de Belet Weyne.

“O ano de 2006 foi catastrófico para o povo sômalo. Depois da pior seca em uma década, enchentes devastadoras levaram embora os poucos pertences que as pessoas tinham. As famílias são levadas ao limite quando tentam sobreviver sob condições climáticas extremamente difíceis.” Pascal Hundt, chefe da delegação do CICV na Somália.

“A situação humanitária na Somália é horrível. Quando você sobrevoa a região, tudo o que pode ver é água e o topo de alguns telhados. Além da falta de casa e comida, o cheiro horrível dos escombros podres torna ainda mais difícil enfrentar as enchentes.” Yves Degiacomi, engenheiro hídrico do CICV.

  Mais informações:  

  Nicole Engelbrecht, CICV, Nairóbi, tel.:+254 20 27 23 963 ou +254 722 51 27 28  

  Pédram Yazdi, CICV, Nairóbi, tel.: +254 20 27 23 963 ou +254 722 51 81 42  

  Marco Jiménez, CICV, Genebra, tel.: +41 22 730 2271 ou +41 79 217 3217