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Iraque: lidando com a violência e lutando para se manter

23-06-2010 Relatório de operações

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) tem ajudado pessoas e comunidades iraquianas a serem autossuficientes economicamente em diferentes maneiras. Esta é uma atualização das atividades do CICV realizadas no Iraque desde o início do ano.

     
 
   
Mapa: atividades do CICV no Iraque. 
               
©CICV 
   
Mulheres vulneráveis que chefiam famílias recebem do CICV alimentos e material de auxílio. 
               
©CICV 
   
O CICV distribui sementes aos agricultores mais vulneráveis. 
               
©CICV 
   
O CICV distribui ovinos aos agricultores. 
               
©CICV 
   
Transporte de água para um campo de deslocados. 
           

O início de 2010 foi marcado por atos de violência que custaram a vida de centenas de civis, principalmente em Bagdá, nas províncias centrais e Najaf. Em Mosul, famílias fugiram da violência e procuraram refúgio em zonas mais seguras. Embora a violência relacionada com o recente deslocamento foi esporádica, restam cerca de 2,8 milhões de deslocados internos (IDPs) no Iraque, que tiveram que deixar suas casas nos últimos anos em busca de segurança.

Muitos iraquianos, em especial os mais afetados pelos efeitos do conflito e da violência contínua, como os deslocados, idosos, portadoras de necessidades especiais e mulheres chefes de família, continuaram lutando para alimentar suas famílias. Ainda preocupa a incapacidade de comprar os bens essenciais de que necessitam.

A agricultura, que antes era uma parte importante da economia, nesta última década está comprometida. As pessoas que perderam máquinas agrícolas por danos, antiguidade ou mau estado, muitas vezes não puderam substituí-las devido à falta de recursos financeiros. Além disso, o abastecimento de água foi atingido por uma falha de manutenção das estações de bombeamento, irrigação e dos canais de distribuição, devido ao inconstante fornecimento de energia elétrica e pelo elevado custo do combustível. Em muitas partes do Iraque, o aumento expressivo dos preços de sementes e fertilizantes, e as importações baratas de países vizinhos, também contribuíram para dificultar o cultivo, senão impossibilitá-lo. Muitos agricultores tentam sobreviver cultivando pequenos pedaços de terra, mas como eles são forçados a usar suprimentos de baixa qualidade, muitas vezes o resultado da colheita é pobre. Outros migraram para as cidades em busca de formas alternativas de ganhar a vida.

A situação foi agravada pela seca de 2008, a pior dos últimos dez anos, que impactou muito na agricultura pluvial da região central, centro-oeste e algumas partes do norte do país. Em algumas áreas, a produção agrícola foi exterminada. Depois de anos de poucas chuvas, as pastagens se reduziram e subiu o preço da forragem. Segundo uma pesquisa do CICV, os criadores foram obrigados a reduzir seus rebanhos em mais de 60% em algumas partes do país, o que impingiu de maneira drástica sua subsistência. " Antes, costumávamos ir para os bairros vizinhos. Agora, todos lugares estão secos e perdemos nossas colheitas e animais. Como podemos continuar? " , disse um agricultor local na província de Ninawa.

Para as famílias que perderam seus principais meios de subsistência, a situação econômica é muito difícil de suportar. A maioria dos desaparecidos relacionados às recentes guerras ou à violência em andamento, e a maioria dos prisioneiros são adultos do sexo masculino, e, em geral, chefes de família. As mulheres e crianças que foram deixadas para trás muitas vezes ficaram isoladas e, portanto, muito vulneráveis, apesar da forte cultura solidária dos iraquianos.

A organização está ajudando os iraquianos que estão nas piores situações a lidarem com suas dificuldades, e as comunidades iraquianas a se manterem sozinhas. O Comitê está distribuindo sementes, fertilizantes e forragem para o gado. Além disso, está vacinando o gado e limpando e melhorando os canais de irrigação. Só em 2009, cerca de 195 mil pessoas foram beneficiadas.

Em janeiro e fevereiro de 2010, de acordo com a própria avaliação independente do CICV, realizada pela equipe da organização em todo o Iraque, mais de 20 mil pessoas foram beneficiadas pela ajuda humanitária:

  • Quase 15,5 mil deslocados (famí lias chefiadas por mulheres), em Bagdá, Diyala, Salah Al-Din e Ninawa receberam cestas básicas mensais e itens de higiene;

  • Cerca de 5,4 mil recém-deslocados de Mosul para Hamdanya e Tilkaif receberam cestas básicas de emergência, arroz e refeições prontas para comer;

  • Mais de 1,9 mil agricultores na província de Diyala receberam 491,5 toneladas métricas de fertilizantes à base de ureia para ajudá-los a melhorar suas colheitas e torná-las sustentáveis;

  • 43 portadores de necessidades especiais nas províncias de Erbil, Dohuk, Sulaimaniya e Ninewa foram beneficiados pela ajuda microeconômica, que lhes permitiu iniciar pequenos negócios e a recuperar a autossuficiência econômica.

  • Em janeiro e fevereiro o CICV também se esforçou para responder a outras necessidades da população iraquiana.

  Fornecimento de água potável e saneamento  

O acesso à água potável ainda é insuficiente em várias partes do país. Apenas 45% da população, em média, tem água potável e 20% tem esgoto adequado. Os engenheiros de água do CICV continuam reparando e melhorando as instalações de água, saneamento e elétrica em todo o Iraque, especialmente nas áreas onde a violência ainda é preocupante, para melhorar o acesso de civis à água potável e para melhorar a qualidade dos serviços prestados nas comunidades e nos centros de saúde.

  • Província de Bagdá: unidade compacta de água em Samadiya para cerca de 20 mil pessoas, Hospital Geral Al Mahmodiya que atende cerca de 400 mil pessoas que vivem na região, Hospital de Doenças Infecciosas Ibn Al Khateeb, Instituto Médico Legal, estação de reforço de água Tabat al Kurd para mais de 3,5 mil pessoas e estação de tratamento de água Al Madai´in para 470 mil pessoas (incluindo deslocados), mais três hospitais e oito centros primários de saúde.

  • Província de Anbar: estação de tratamento de água Heet para 45 mil residentes e 250 deslocados, estação de tratamento de água Habbaniya para 30 mil moradores e 1,5 mil deslocados, e hospital Al Qaim que presta cuidados de médicos para cerca de 350 mil habitantes locais.

  • Província Salah Al Din: clínica al Dor e unidade compacta Dijail que proveem abastecimento de água para cerca de 25 mil pessoas.

Outros trabalhos relacionados com a água foram realizados para beneficiar cerca de 100 mil pessoas nas províncias de Missan, Diwaniya e Diyala, e na província de Ninawa onde 3 mil detidos na prisão de Badoosh estão entre os beneficiados.

A água foi fornecida por caminhão para:

  • 4,5 mil deslocados na cidade de Sadr e para outros 340 em Husseinia, Ma'amil e no Hospital Universitário de Bagdá, todos na província de Bagdá;

  • O acampamento de Qalawa em Sulaimaniya, que hospeda cerca de 360 deslocados. Dois tanques danificados de 5 mil litros foram substituídos.

  Ajuda aos hospitais e centros de reabilitação física  

Os serviços de saúde ainda são insuficientes. Em algumas áreas, é difícil chegar aos centros de saúde devido à contínua falta de segurança. As instalações sanitárias iraquianas continuam recebendo o apoio do CICV. Os serviços de reabilitação e de próteses são fornecidos pela organização para ajudar as pessoas com deficiência a se reintegrarem na comunidade. Em janeiro e fevereiro:

  • 12 hospitais e três centros primários de saúde receberam suprimentos e equipamentos médicos;

  • 34 médicos e enfermeiros participaram com sucesso de um curso d e formação de serviços de emergência ministrado no Hospital de Emergência de Sulaimaniya e no Hospital Escola Al Sadr em Najaf;

  • 26 gestores que trabalham na área de cuidados de saúde primários nas províncias de Ninawa, Kirkuk, Erbil e Diyala participaram de um fórum, realizado em Erbil, para melhorar a qualidade dos serviços primários de saúde na zona rural;

  • Dois fisioterapeutas de Najaf, dois de Hilla, um de Sulaimaniya e um de Erbil participaram de um curso de treinamento de três semanas em Erbil, onde o CICV tem um centro de reabilitação física.

  Visita aos detidos  

A visita aos detidos continua sendo uma prioridade para o CICV no Iraque. Em janeiro e fevereiro, os delegados do CICV visitaram os detidos:

  • Na Prisão Federal Fort Suse, na província de Sulaimaniya, na Prisão Nasiriya, província de Thi-Qar, nas prisões de Mina e Maaqal, na província de Basra;

  • Na Delegacia de Polícia de Emergência e Centro Juvenil de Polícia em Tasfirat em Kirkuk, na estação de Assayesh KDP, província de Kirkuk;

  • Na Brigada 54, sexta divisão, na província de Bagdá;

  • Nas seis prisões e duas delegacias de polícia nas províncias de Erbil, Dohuk e Sulaimaniya;

  • No acampamento Taji (sob custódia dos EUA), província de Bagdá. Esta foi a última visita ao centro de detenção antes da sua entrega às autoridades iraquianas.

Cerca de 5,2 mil detidos nas prisões de Fort Suse, Chamchamal, Khademiya, Adhala e Amarah receberam cobertores, colchões e roupas para ajudá-los a suportar o frio do inverno. Na Prisão Federal de Chamchamal, 34 detentos portadores de necessidades especiais receberam muletas como parte do acompanhamento realizado pelos delegados do CICV para os cuidados de saúde na prisão.

Em janeiro e fevereiro mai s de 7,8 mil Mensagens Cruz Vermelha foram trocadas entre os presos e seus familiares. Além disso, 626 certificados de detenção foram emitidos para ex-detidos ou internos para tornar-los elegíveis aos benefícios de bem-estar social.

  Esclarecimento do que aconteceu com os desaparecidos  

O CICV apoia as autoridades em seus esforços para esclarecer o que aconteceu com os desaparecidos relacionados à Guerra Irã-Iraque e à Guerra do Golfo em 1990-1991. A organização também ajuda a formar profissionais forenses na identificação e gestão dos restos mortais e regularmente fornece equipamentos. Em janeiro e fevereiro:

  • Foram repatriados do Iraque os restos mortais de nove soldados iranianos com apoio do CICV;

  • O subcomitê técnico da Comissão Tripartite, que trata dos casos de desaparecidos relacionados à Guerra do Golfo de 1990-1991, realizou sua 63ª sessão do Kuaite, presidida pelo CICV e com a participação de representantes do Iraque, Kuaite e da Coalisão 1990 - 1991 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Arábia Saudita);

  • Foi realizado um treinamento de dois dias ministrado por um especialista forense do CICV para os funcionários do centro de Al Zubair para ajudá-los a melhor gerenciar os arquivos de milhares de desaparecidos.

  Promoção do Direito Internacional Humanitário  

Lembrar os envolvidos no conflito sobre a obrigação de proteger os civis é uma parte fundamental do trabalho do CICV. A organização também se esforça para promover o Direito Internacional Humanitário (DIH) na sociedade civil. Neste contexto, foi organizada uma série de apresentações para vários públicos, incluindo militares, agentes penitenciários, estudantes e professores.