Líbia: começa descontaminação de armas não detonadas
04-05-2011 Relatório de operações
A contaminação por explosivos, deslocamentos, detenções e falta de água e de remédios são os problemas mais urgentes que a população enfrenta atualmente na Líbia. O CICV, através de seus escritórios em Trípoli e Benghazi, continua ajudando as vítimas apesar das precárias condições de segurança.
Redução dos perigos que as munições não detonadas causam aos civis
A população civil na Líbia está exposta aos perigos de dispositivos explosivos não detonados ou abandonados em muitos lugares, entre eles Ajdabiya, Misrata e Benghazi, onde ocorreram intensos conflitos armados. Nos últimos dias foram relatados acidentes com feridos, envolvendo principalmente crianças.
Em Ajdabiya, além das incertezas enfrentadas em relação ao desenlace dos conflitos, muitas pessoas não podem voltar a suas casas devido à ameaça de dispositivos explosivos não detonados tais como foguetes, munições e morteiros. Os mesmos podem ser encontrados em qualquer lugar em áreas residenciais, até mesmo em jardins ou dentro de casas ou edifícios públicos.
" No dia 3 de maio começamos a desativar dispositivos perigosos em alguns lugares de Ajdabiya " , afirmou o delegado do CICV encarregado da operação de descontaminação, Herby Elmazi. " Este início de ação contínua para reduzir os perigos da contaminação por explosivos que ameaça a população civil. Espera-se que esta ação se estenda também a Misrata, cidade destroçada por conflitos armados, em um futuro próximo " . Os especialistas do CICV identificam as áreas mais afetadas antes de dar início à remoção ou à desativação segura de dispositivos perigosos. “O CICV é a única organização que dispõe de uma equipe totalmente operativa capaz de desativar estes tipos de dispositivos na Líbia”, acrescentou Elmazi.
A equipe de descontaminação trabalha em parceria com os voluntários do Crescente Vermelho Líbio, os quais estão cumprindo um papel e ssencial na identificação das áreas em Ajdabiya que permanecem contaminadas. São eles que levam a informação para a equipe do CICV para que esta possa realizar a operação de descontaminação.
O CICV também lançou uma campanha para conscientizar civis sobre os riscos de dispositivos explosivos não detonados. Em parceria com o Crescente Vermelho Líbio, estão sendo organizadas sessões de caráter informativo e são distribuídos cartazes e folhetos com o objetivo de alertar a população.
Dezenas de milhares esperam para poder voltar para casa ou deixar Misrata
Em Ajdabiya e outras áreas afetadas por conflitos, dezenas de milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas e buscar refúgio em casas de famílias ou em campos. Embora Ajdabiya esteja relativamente calma agora, a cidade ficou quase vazia devido à persistente falta de segurança e ao constante perigo oferecido pelos dispositivos explosivos não detonados.
" Em Misrata, continuam os conflitos intensos que fazem com que cada vez mais famílias se desloquem para o lado do porto e fiquem à espera de um barco que os evacue da cidade”, afirmou o chefe-adjunto de operações do CICV no norte e no oeste da África, Georgios Georgantas. " A situação humanitária está se deteriorando ainda mais com a interrupção no abastecimento de água, a falta de assistência médica e de outros serviços básicos. Estamos em contato com as autoridades no sentido de voltar a Misrata o mais rápido possível, por mar partindo de Benghazi e por terra partindo de Trípoli, com a finalidade de atender civis”. Entre os dias 18 e 27 de abril, o CICV evacuou por navio cerca de 2.500 civis, principalmente estrang eiros desamparados.
Ao longo das últimas duas semanas, trabalhando em conjunto com voluntários do Crescente Vermelho Líbio, o CICV distribuiu alimentos, comida para bebês, kits de higiene e de cozinha e cobertores para cerca de 30 mil deslocados internos, a maioria dos quais se instaslou em comunidades acolhedoras ou se alojou em edifícios públicos ao longo da costa na parte oriental do país.
Ajuda a detidos e famílias divididas
Os delegados do CICV continuam realizando visitas humanitárias a detidos em Benghazi com o propósito de verificar as condições sob as quais eles estão sendo mantidos e o tratamento que recebem. Até agora os delegados conversaram em particular com 200 detidos. Os delegados do CICV também visitaram detidos em Misrata. Na condição de intermediário neutro, o CICV enviou de Benghazi a Trípoli cinco detidos que haviam sido liberados no dia 30 de abril. A organização está intensificando seus contatos em Trípoli na esperança de poder ter acesso aos detidos no oeste da Líbia.
O restabelecimento de contato entre os detidos e suas famílias e entre membros de famílias divididas pelo conflito é outra parte importante do trabalho do CICV na Líbia. “As famílias sofrem muito por causa da separação e da falta de notícias”, afirmou Sébastien Koller, delegado do CICV. “Estamos pondo à disposição telefones via satélite em nossos escritórios e em campos administrados pelo Crescente Vermelho Líbio para que familiares possam entrar em contato uns com os outros e intercambiar notícias”. Até agora mais de quatro mil telefonemas deste tipo já foram realizados.
Apoio à equipe médica e difusão do Direito Internacional Humanitário
O acesso à assistência médica continua sendo um desafio para civis em áreas como Misrata, onde o hospital luta para lidar com o fluxo de vítimas. Nos dias 25 e 26 de abril, o CICV ofereceu um seminário sobre cirurgias de guerra a mais de 25 médicos e enfermeiros em Benghazi.
Um delegado especializado do CICV fez apresentações sobre os princípios do Direito Internacional Humanitário a mais de 600 portadores de armas nas instalações da oposição armada da Líbia em Benghazi. Além disso, também em Benghazi, um assessor jurídico do CICV organizou seminários sobre normas do Direito Internacional Humanitário para juízes, advogados e professores e alunos universitários.
Pessoas que fogem da violência na Líbia receberam assistência na Tunísia e no Egito
Na região sudeste da Tunísia, o CICV e o Crescente Vermelho Tunisiano continuam prestando ajuda a civis oriundos da Líbia. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), desde 7 de abril, mais de 30 mil refugiados líbios que fugiam dos conflitos na área de Nalut e Zintan cruzaram a fronteira em Dehiba. Cerca de três mil deles se uniram no campo de Remada, mas a maioria foi recebida por famílias dispostas a hospedá-los. Cerca de cinco mil estrangeiros desamparados permanecem nos campos de Choucha, próximos à fronteira de Ras Ajdir.
Mais de 50 mil kits compostos de artigos como cobertores, garrafas de água e artigos de higiene foram distribuídos nos campos desde o início de março. Quase 16 mil cobertores reciclados foram entregues ao Crescente Vermelho Tunisiano e a hospitais locais desde o final de março e quatro mil colchões foram doados a famílias líbias no campo em Remada desde 15 de abril.
Com o objetivo de melhorar as condições de higiene e o abastecimento de água, o CICV construiu mais de 50 chuveiros, criou 17 áreas p ara lavagem de roupas, entregou mais de 200 banheiros químicos no campo em Remeda e instalou um tanque de água com capacidade para 70 metros cúbicos em Choucha. Também doou materiais cirúrgicos e anestésicos, ataduras, itens de primeiros-socorros e uma tenda para consultas ao Hospital de Dehiba para prestar assistência a refugiados. Além disso, doou um kit com material cirúrgico para cuidar de cem pessoas feridas por dez dias ao Hospital Tataouine.
Desde fevereiro passado, o CICV providenciou a realização de 50 mil chamadas telefônicas para o restabelecimento de contato entre pessoas que abandonaram a Líbia rumo à Tunísia e seus entes queridos.
No Egito, o CICV também está trabalhando em parceria com a Sociedade do Crescente Vermelho, apoiando voluntários na organização de distribuição de alimentos para pessoas impedidas de avançar no posto fronteiriço de Sallum. Desde o início desta semana foram oferecidos cafés da manhã a três mil pessoas por dia. Desde o início da crise o CICV e o Crescente Vermelho Egípcio também deram a mais de 4.600 pessoas a oportunidade de realizar ligações telefônicas com a finalidade de restabelecer ou manter o contato com membros de suas famílias. Além disso, o CICV vem ajudando milhares de pessoas que não são líbias nem egípcias e que não dispõem de documentos de viagem válidos para obter os documentos necessários para retornar a seus países de origem.
Mais de 1.200 toneladas de material médico, alimentos e outros artigos foram enviados via Egito para respaldar a operação do CICV na Líbia desde o seu início a fins de fevereiro.
Mais informações:
Dibeh Fakhr, CICV Benghazi, tel: +870 772 390 124
Steven Anderson, CICV Genebra, tel: +41 22 730 20 11 ou +41 79 536 92 50
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