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Colaboradores do CICV e da Cruz Vermelha Panamenha durante uma missão médica em uma comunidade de Darién, Panamá.
Durante o deslocamento, Liris, que então contava com 20 anos e tinha dois filhos, se separou da senhora Roquelina. Fugiram com destinos diferentes. Liris se estabeleceu definitivamente na Boca de Cupe, outra comunidade no Darién, e desde então não teve mais notícias sobre sua mãe.
A região panamenha de Darién faz fronteira com a Colômbia. É uma zona de selva, de acesso difícil e com um clima muito adverso. Não tem vias de comunicação terrestre (é o único ponto onde se interrompe a rodovia Panamericana, que percorre todo o continente de norte a sul), deixando a população residente (na maior parte indígena), e os refugiados colombianos isolados e vulneráveis.
Em virtude do conflito armado, milhares de colombianos precisam abandonar suas casas para salvar a vida. Algumas dessas pessoas mudam de uma região para outra dentro da Colômbia e passam a fazer parte de uma das maiores populações de deslocados internos do mundo, enquanto outras atravessam as fronteiras nacionais como refugiadas.
O CICV colabora com a Cruz Vermelha Panamenha fazendo compras de medicamentos, ferramentas e utensílios de trabalho. Também leva adiante seu programa de restabelecimento de contato entre familiares, por meio do qual ajuda os refugiados na zona de Darién a manter ou restabelecer a comunicação com os parentes que ficaram na Colômbia.
Com vistas a prestar assistência às comunidades que vivem na região, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Cruz Vermelha Panamenha realizam periodicamente missões médicas e sanitárias na área.
Só quando uma missão médica do CICV e da Cruz Vermelha Panamenha chegou em Boca de Cupe, Liris pôde pedir a um delegado do CICV que procurasse sua mãe. A jovem escreveu então uma Mensagem Cruz Vermelha: "Mamãe: as crianças e eu estamos bem...se você estiver bem, gostaria que voltasse para o Panamá...".
A Mensagem chegou à delegação regional do CICV no México, que coordena as atividades na América Central e nos países de língua espanhola do Caribe. Tendo em vista que era muito provável que Roquelina tivesse regressado à Colômbia, também foi enviada uma informação para a delegação do CICV naquele país.
A operação de busca levou os funcionários do CICV à comunidade colombiana de Cacarica, no Choco, muito perto da fronteira com o Panamá. Quando, finalmente, foi possível localizar Roquelina, a Mensagem Cruz Vermelha que Liris lhe havia escrito meses antes foi entregue.
Roquelina chorou no momento em que recebeu a mensagem de sua filha. Imediatamente, ligou para o telefone indicado. A mãe de Liris resolveu ficar na Colômbia. Agora ela sabe onde está sua filha e se comunica com ela por telefone, periodicamente.