Só em 2007, o CICV forneceu alimentos e itens domésticos para mais de 66.000 pessoas deslocadas, o que representa um aumento de 6% em relação a 2006.
"Ainda que nos últimos anos os deslocamentos massivos tenham diminuído, o número de famílias que abandonam seus lares por motivos ligados ao conflito aumentou consideravelmente", disse Bárbara Hintermann, chefe da delegação do CICV na Colômbia. "O fluxo constante de famílias que fogem de suas terras e se instalam em cidades passa quase desapercebido e raras vezes se fala publicamente sobre as dificuldades enfrentadas por estas pessoas que perderam tudo devido ao conflito armado".
A crise afeta muito particularmente as crianças, já que mais da metade das pessoas deslocadas que se beneficiaram do apoio do CICV no ano passado tinham menos de 18 anos. Cinqüenta e oito por cento dos deslocados disseram ter abandonado seus lares depois de receber ameaças de morte e 11% disse ter recebido pressão para cooperar com os portadores de armas. Nove por cento declarou ter recebido ameaças de recrutamento forçado de um grupo armado e 5% fugiu por causa de enfrentamentos registrados próximo aos locais onde vivem.
Em 2007, o CICV documentou aproximadamente 1.700 alegações de violações ao Direito Internacional Humanitário na Colômbia, como execuções sumárias, desaparições forçadas e toma de reféns. A organização ajudou aproximadamente 2.500 pessoas que tinham recebido ameaças a refugiar-se em zonas mais seguras, o que representa um aumento de 40% com relação a 2006.
"Sempre estou irritada e muito deprimida", disse Aurora, mãe de três filhos que fugiu com sua família da localidade de Sabana de Torres, na região de Santander, para a cidade de Bucaramanga, em 1998. "Meu marido, que era pescador, ainda não conseguiu encontrar trabalho e está completamente deprimido, o que acaba provocando outros problemas familiares difíceis de resolver", diz ela. "Ser deslocado é um estigma. É humilhante".
O CICV trabalha na Colômbia desde 1969, ano em que começou a visitar pessoas deslocadas. Durante este período, a organização incrementou consideravelmente seu apoio às pessoas deslocadas pela guerra, estabeleceu projetos agrícolas, de abastecimento de água e saneamento e, como intermediário neutro e independente, facilitou com regularidade a liberação de reféns. O CICV também promove a difusão do Direito Internacional Humanitário entre as autoridades políticas do país, na sociedade civil e nas universidades, assim como entre todas as partes do conflito.
Mais informação:
Marçal Izard e Yves Heller, CICV Genebra, tel.: +41 22 730 24 58 ou +41 79 217 32 24
Carlos Ríos, CICV Bogotá, tel.: +57 1 313 86 30