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25-04-2008  Informe especial  
Tunísia: pela primeira vez internado de Guantánamo e familiares trocam notícias por telefone
Quarta-feira, 27 de fevereiro, 3h da manhã, na casa da família do internado de Guantánamo Ahmed (nome fictício). Quatro pares de olhos estão fixos no telefone celular trazido por Ralph Wehbe, delegado do CICV em Túnis. Em poucos minutos, o pai de Ahmed, o irmão e duas irmãs terão talvez a oportunidade de falar com o jovem. Eles não o vêem há muitos anos

A mãe de Ahmed é a única pessoa que não está. Ela morreu no final de 2007, mas estará muito presente nos pensamentos da família ao longo do dia. Foi depois da morte dela que o CICV interveio para ajudar a estabelecer um contato telefônico de forma que a família pudesse trocar condolências e notícias. Foi a primeira vez que o CICV organizou este tipo de contato telefônico com uma família tunisiana depois de se aproximar das autoridades do campo de prisioneiros de Guantánamo.

O CICV visita os internados na Baía de Guantánamo (em Cuba) desde janeiro de 2002 – cerca de 300 pessoas de aproximadamente 30 países até hoje. Até maio de 2007, a organização tinha oferecido seus serviços para a troca de quase 30 mil Mensagens Cruz Vermelha entre pessoas privadas de liberdade e suas famílias.


A família de Ahmed precisa esperar mais dez minutos até completar a ligação. Finalmente há um oficial americano do outro lado da linha. "Não posso acreditar nos meus ouvidos!" afirma o pai de Ahmed visivelmente emocionado. "Conseguimos!" , grita a irmã mais nova com entusiasmo. Finalmente foi estabelecido contato entre o campo de detenção de Guantánamo, em Cuba, e a Tunísia.

Durante uma hora Ahmed e sua família podem conversar e trocar notícias. "Não tinha escutado a voz dele durante cinco anos. A voz dele mudou tanto!", exclama sua irmã mais nova.

É um momento muito emocionante tanto para o detido como para sua família. Tomado pela emoção, o irmão mais velho de Ahmed derrama lágrimas de alegria quando escuta a voz dele. Sem palavras depois de tantos anos de separação, luta para encontrar alguma coisa para dizer. "Ele não se deu conta do que estava acontecendo. Estava tão surpreendido e alegre", diz o pai.

"É muito importante poder reunir a família dessa forma. Se for fisicamente impossível, temos de encontrar outras formas de possibilitar que os familiares possam conversar entre si. É um gesto de humanidade", explica Ralph Wehbe, que veio visitar a família para ter certeza de que o telefonema aconteça de forma tranqüila.

"É graças à minha mãe que nos reunimos todos", sublinha a irmã mais nova de Ahmed. "Ela ainda está cuidando de nós lá do céu." No contexto de sua missão humanitária, o CICV ajuda as pessoas que foram privadas de liberdade por causa de um conflito armado a restabelecer contato com suas famílias e a se manter em contato. Para fazer isso, a organização usa principalmente o sistema de Mensagens Cruz Vermelha – são trocadas mensagens por escrito entre os membros de uma família que ficaram separados e que não podem ser contatados por outros meios em virtude do conflito. Em alguns casos, particularmente quando há um caso de morte na família de um detido, o CICV intervém em base estritamente humanitária para ajudar no contato por telefone.

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